segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Histórico da Escola de Música Anthenor Navarro - EMAN

No ano de 1929 Gazzi de Sá juntamente com sua esposa Ambrosina Soares, mais conhecida com Dona Santinha, criaram em sua própria casa, um curso denominado Curso de Piano Soares de Sá . Ele era professor de piano, teoria musical e coral e ela, professora também de piano, coral e de dança. Posterioremente passou a se chamar apenas Escola de Música e finalmente fixou o seu nome como Escola de Música Anthenor Navarro.

Em fevereiro de 1931, o interventor da Paraíba Anthenor Navarro, incentivou Gazzi de Sá a criar a Escola de Música que foi inicialmente para a casa da Rua General Osório. Na época, o interventor mandou fornecer carteiras, mesas, cadeiras, quadros-negros e uma pianola que funcionava como piano. O corpo docente na época era Gazzi (diretor), Santinha de Sá e Anita Araújo (aluna mais adiantada, já falecida). Com o falecimento de Anthenor Navarro em um desastre de avião, a escola de música passa a adotar o nome do seu incentivador.

Assim, começa um período de crise com o pedido para que fosse desocupado o prédio onde foi instalada a guarda civil. A Escola passa a funcionar na residência dos pais de Gazzi, à Rua General Osório, 164. Necessitando de um espaço maior, a escola se muda para a Rua Odon Bezerra, sendo esta a quarta casa por onde a escola passou. Foram acrescentados ao corpo docente nesta época os professores: Orlandina Barbosa, Blesila Guedes, Maria da Natividade Guedes e Teresia de Oliveira - todas discípulas de Gazzi. Esta casa hoje foi restaurada para o funcionamento de um órgão público, o TRE-PB. A Escola de Música permaneceu neste local por volta de 1936 até 1947 quando Gazzi de Sá foi para o Rio de Janeiro, não consguindo uma sede para a escola e começando uma verdadeira peregrinação da Escola de Música por diversos locais.

Assim, Luzia Simões, aluna de Gazzi, assumi as atividades da Escola de Música em sua residência, auxiliada por suas alunas Isabel Maria de Miranda Burity e Germanna Vidal. Germanna, hoje aposentada, foi uma das fundadoras do Departamento de Música da UFPB e Isabel Burity (falecida), além de professora de piano da UFPB, foi criadora da Orquestra Sinfônica Jovem do Estado e do Projeto Suzuki para instrumento de cordas na Paraíba. Na casa onde morou Luzia Simões hoje, funciona a farmácia do Estado - FARMIPEP, localizada na Rua Peregrino de Carvalho, 102, no centro da cidade. Como sua casa era pequena. Luzia Simões determinou que cada professor levasse seus alunos para ministrar aulas em casa.

Quando o Governador José Américo de Almeida tomou conhecimento da situação, fez doação de uma casa à EMAN, onde hoje é o Edifício 18 andares. Pela segunda vez, a Escola volta para a casa onde foi sua segunda residência. Neste governo, houve a reorganização da divisão de Educação Artística, através da Lei 838 de 28 de novembro de 1952, dando uma estrutura mais ampla com a criação do canto orfeônico, serviço de bandas e conjuntos musicais, serviço de dança, teatro e artes plásticas. No mesmo decreto passa a jurisdição do Estado a Escola de Música Anthenor Navarro e é criado o Conservatório de Canto Orfeônico da Paraíba.

No Governo de Flávio Ribeiro Coutinho, a casa foi pedida para a construção do Edifício Epitácio Pessoa (18 andares). No entanto, um acordo foi firmado. Quando o edifício fosse terminado, todo o 4º andar seria destinado à Escola de Música com um contrato de 10 anos, prazo este que o Estado teria para providenciar as instalações da escola em outro local. Caso contrário, o Estado perderia o direito à utilização do referido local. O acordo entre o IAPB (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários) e o Governo do Estado foi publicado no Diário Oficial da União (DOU)  segundo a lei nº 1.615 de 29 de novembro de 1956 na qual autoriza a doação de terreno e dá outras providências.Dessa forma, a escola foi para uma casa ao lado da Catedral Metropolitana, onde a primeira turma de Canto Orfeônico concluiu em 1957. Como também era uma casa muito pequena, permaneceu neste local por cinco anos e, por volta de 1963, mudou-se para uma outra casa na Rua Duque de Caxias. Dessa forma, o Governador Pedro Gondim, em 26 de novembro de 1956, recebe a chave do quarto pavimento do Edifício. No entanto, a escola não se mudou para lá.


Neste último local (Rua Duque de Caixas), funcionava antes da escola a Reitoria da Universidade Federal da Paraíba, que saiu deste local para um prédio na lagoa, onde hoje funciona um setor do INSS, fixando-se posteriormente no Campus I da Cidade Universitária.  Aqui, finda-se o Curso de Canto Orfeônico em 1963 e inicia-se o Curso Colegial Artístico por lei, em 1962, mas iniciando-se apenas em 1963. Era um curso que equivalia a qualquer outro de segundo grau, como o científico, o pedagógico, porém com a diferença de preparar e especificamente para o curso superior de música e habilitando para prestar o vestibular. Este tipo de curso teve sua experiênica encerrada em 1968, formando quatro turmas de 1965 a 1968. As tentativas de criar o ginasial artístico, com o objetivo de revitalizar o colegial artístico não foram bem sucedidas. A casa da Rua Duque de Caxias foi o local onde a escola funcionou por mais tempo, cerca de dez anos ( de 1963 a 1973-1974). Por causa de sua deteriorização, a escola muda-se novamente. Durante este tempo na Rua Duque de Caxias, foi feito um projeto para construção de uma sede para a Escola em 1969 no Governo João Agripino, época em que a Escola estava sob a direção de Maurício Gurgel. No entanto, o governo sem interesse em construir, apresentou em reunião a proposta de aumento salarial para os funcionários públicos  em troca da construção da escola, o que foi aceito.

A escola seria num terreno enorme, onde hoje funciona o colégio Sesquicentenário com todas as acomodações necessárias a uma escola bem planejada. A entrada teria um grande hall. Na parte administrativa teria à sua direita estaria a secretaria, o gabinete do diretor com uma sala de espera e uma da secretaria, um banheiro, uma sala de reunião, um arquivo, um almoxarifado, outro banheiro.  À esquerda teria uma enorme sala de professores, dois banheiros, um almoxarifado, uma sala, cozinha, quarto e banheiro. Suindo o hall teria um auditório para 200 lugares com cabine de projeção, um palco com dois camarins e sala de som. Um caminho que ligaria a parte administrativa ao auditório. Um longo prédio de primeiro andar com as seguintes salas: no térreo, uma biblioteca, uma cantina, sala de serventes, uma sala grande para desenho, pintura e modelagem. Em frente a esta sala dois banheiros e escadarias. Ainda acomodações para uma sala para bandinha, para conjunto de câmara, gravação, discoteca, uma sala para canto coral, além de doze pequenas cabines para estudo individual e ao lado das cabines, mais uma escadaria com dois banheiros. No primeiro andar, quatro salas para quarenta alunos, quatro salas para vinte alunos, uma sala de professores, uma sala de serventes e ao lado das duas escadarias, dois banheiros. Ao lado do prédio, no espaço enorme que restou, duas quadras de esportes, uma para basquetebol e futebol de salão e outra quadra para voleibol. 

Ao sair da casa da Rua Duque de Caxias, a escola volta a ser na Rua Odon Bezerra, nº 309, antiga d eresidência de Gazzi de Sá, por volta de 1974, funcionando por cerca de 4 a 5 anos. Como esta nova casa não oferecia condições necessárias para o desenvolvimento das atividades, principalmente o assoalho muito estragado e uma professora que estava dando aula, afundou o sapato o piso, outra mudança foi apressada.

Na nova casa na Rua D. Pedro I que hoje, funciona um órgão do Governo - a Secretaria de Segurança Pública - Superintendência Geral da Polícia Civil (2ª Delegacia Distrital),  um novo fato aconteceu: a casa foi assaltada. Entratram pelos fundos levando todos os instrumentos e todo o material da secretaria, deixando apenas os pianos. Os instrumentos roubados se resumiam a violões que foram doados à escola. Neste local a escola funcionou de 1978 a 1981.

Na época de Gazzi de Sá apenas se ensinava na escola canto orfeônico e piano, mais tarde violino. Quando Luzia Simões assumiu, convidou professores de outros instrumentos como: violino, violão, trompete, clarinete e flauta. No caso dos sopros, quem estudava deveria ter seu próprio instrumento. Hoje, a escola ensina: violino, violoncelo, viola, contrabaixo, flauta transversal e doce, clarinete, sax, trompete, trombone, percussão, canto, violão e piano. Deste último conta com dez unidades no momento.

Antes de estabelecer-se no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em Tambauzinho, a Escola passou por uma casa bonita e aparentemente grande, no entnato continuava pequena para o exercício das atividades. Hoje, a casa é bem mais conservada do que era na época, sendo o escritório do Deputado Gilvan Freire. Em uma das visitas feitas por Giselda Navarro, presidenta do Espaço Cultual,  à escola nesta casa, abaixa-se assustada com os morcegos voando sobre sua cabeça, concluindo que não é possível conviver com aqueles morcegos daquela forma. Assim, convida a escola para mudar-se e dede 1983 a Escola de Música Anthenor Navarro passa a situar-se nas dependências do Espaço Cultural.









  







2 comentários:

  1. Gostei deste histórico da querida escola de música Antenor Navarro, daqual eu fui aluno e tive o privilegio de estudar com Pedro Santos, Mauricio Gurgel, Olga Ribeiro Silva, Creusa Teixeira etc. Acompanhei parte de sua perigrinação de 1974 a 1979. Devo muito a esta escola e aos mestres citados. Grato a Wênia Savier pela postagem e exatidão das informações.
    José Cavalcanti da Silva

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  2. Eu me chamo Luceni Caetano da Silva, professora de música da UFPB e autora destas informações sobre a Escola de Música Anthenor Navarro. A Escola foi o tema do segundo capítulo da minha Tese de Doutorado, concluído em 2006. Gostaria que a professora Wênia Xavier colocasse neste texto histórico a referência do meu nome, a ética pede isto, ao mesmo tempo, não é nada agradável para um autor depois de uma pesquisa exaustiva de Doutorado, ver outra pessoa levando o crédito de sua intensa pesquisa, em um recorte autêntico do seu texto.

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